Endereço
Av. Waldemar Carlos Pereira, 336
Horário de funcionamento:
9:00 – 17:00
Telefone
+55 11 97329-1949
E-mail:
comercial@gwaconsultoria.com.br

Mudanças causam disparada de multas e queda das suspensões da CNH

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Em 2024, o trânsito brasileiro bateu um recorde preocupante: foram registradas 74,9 milhões de autuações de trânsito, marcando a sexta alta consecutiva. 

Porém, o que chama ainda mais atenção é que, apesar do aumento das multas, apenas 290 mil CNHs foram suspensas, o menor número desde 2013, exceto pelo ano atípico de 2020, durante a pandemia. 

Essa discrepância entre multas aplicadas e suspensões efetivas levanta questões sobre a eficácia das penalidades e o impacto real das regras de trânsito.

Por que as suspensões caíram?

As mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), implementadas entre 2021 e 2022, flexibilizaram os critérios para suspensão da CNH, principalmente para motoristas profissionais e empresas.

Alguns dos principais pontos:

  • Aumento do limite de pontos: Motoristas comuns podem acumular até 40 pontos antes da suspensão, desde que não tenham infrações gravíssimas. Uma infração gravíssima reduz o limite para 30 pontos, e duas ou mais infrações gravíssimas reduzem para 20 pontos. Para quem exerce atividade remunerada, o limite permanece 40 pontos, independentemente das infrações. 
  • Flexibilização para empresas: O prazo para indicação do condutor infrator passou de 15 para 30 dias, permitindo que empresas evitem a associação do motorista à infração. Isso reduziu significativamente o número de suspensões. 
  • Multas por CNPJ: Veículos registrados em empresas não geram pontos quando o condutor não é identificado, apenas o valor da multa é aumentado. Antes, a pontuação e o valor eram multiplicados, o que dificultava o acúmulo de penalidades.

Essas mudanças trouxeram alívio para muitos motoristas, mas especialistas alertam que não representam proteção absoluta. 

Acumular várias infrações gravíssimas em pouco tempo ainda pode levar rapidamente à suspensão da CNH, especialmente em casos extremos, como dirigir muito acima do limite de velocidade.

O aumento das multas

Mesmo com a redução das suspensões, as autuações dispararam. Esse aumento é influenciado por diversos fatores:

  • Excesso de velocidade: Continua sendo a infração mais registrada, representando mais de 40% das autuações. O uso de radares automáticos permitiu contabilizar essas infrações em grande escala. 
  • Crescimento da frota: O aumento da circulação de veículos, impulsionado pelo crescimento econômico e facilidade de compra de carros, contribui para mais autuações. 
  • Uso de veículos por empresas: O “furo do CNPJ” permitiu que algumas infrações não resultem em pontos, mas apenas em multa monetária.

Como consequência, a multa deixou de ter um efeito realmente punitivo, funcionando apenas como um número para o motorista, sem impacto real no seu comportamento.

Veja também: Bafômetro: Mitos e verdades sobre a lei seca 

Impactos na segurança viária

Especialistas alertam que o aumento das multas e a queda nas suspensões têm efeito direto na segurança:

  • Mortes no trânsito: Após um período de queda entre 2013 e 2019, o número de acidentes voltou a subir. Em 2024, foram 6.153 mortes nas rodovias federais, alta de 9,6% em relação ao ano anterior. 
  • Letalidade nas rodovias: Apesar da fiscalização, a letalidade é maior nas federais (0,08 morte por acidente) em comparação às estaduais (0,0176 por acidente). 
  • Motociclistas: Representam 38,6% dos óbitos no trânsito, sendo o grupo mais vulnerável devido ao aumento da frota e à pressão de entregadores por produtividade.

Falta de investimento e coordenação

Outro ponto crítico é o represamento do dinheiro arrecadado com multas. Em 2024, do total de R$ 810 milhões arrecadados, apenas R$ 54 milhões foram investidos em segurança viária, enquanto mais da metade do valor ficou retida na reserva do Orçamento da União. 

A burocracia federal e a falta de equipes técnicas nos municípios dificultam a aplicação desses recursos em educação, fiscalização e modernização viária.

Em contraste, cidades como Natal (RN) mostram que o uso consciente das multas pode gerar resultados: a capital dobrou o número de radares, promoveu ações educativas e conseguiu reduzir em 18% as mortes no trânsito em 2024.

Caminho para a mudança: Agência Nacional de Segurança Viária

Diante da fragmentação de dados e da falta de coordenação nacional, cresce o apoio à criação de uma Agência Nacional de Segurança Viária, nos moldes da ANTT ou da Anvisa. 

Essa entidade teria autonomia técnica, orçamento próprio e capacidade de unificar ações entre estados e municípios, gerando políticas públicas mais eficazes.

Conclusão

O cenário do trânsito brasileiro mostra uma realidade preocupante: mais multas, menos suspensões e maior risco de acidentes. As mudanças no CTB flexibilizaram penalidades, mas também reduziram a função educativa das multas. 

Somado à baixa aplicação de recursos e à falta de coordenação nacional, o resultado é um trânsito mais perigoso, especialmente para os grupos mais vulneráveis, como motociclistas.

A solução exige educação, fiscalização estratégica e investimento eficiente, além de políticas públicas integradas que transformem multas em ferramentas reais de segurança, não apenas números em planilhas.

Fale conosco e conte com GWA Consultoria

Nosso time de especialistas em regras de trânsito está à disposição para te ajudar.

Entre em contato conosco:

Site GWA

Telefones: 11 95240-4343  / 0800 742 4202

Email: comercial@gwaconsultoria.com.br